Juros a 13,75%: trava da inflação ou peso de quem produz?
A Selic está em 13,75% ao ano desde a reunião do Copom de setembro de 2026. Foi mais um corte de 0,25 ponto neste ciclo, depois de a taxa ter ido a 15%. No balcão, "corte" é uma palavra generosa. O capital de giro da loja continua longe da margem da areia e do cimento.
O fato ao lado, para eu não escolher só o número que me serve: o IPCA de setembro foi 0,82%, e em doze meses o índice chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5%. A meta contínua é 3%, com tolerância de 1,5 ponto. O Focus daqueles dias punha o IPCA de 2026 inteiro em 5,22%, ainda acima do teto. O Banco Central olha para a frente. Eu olho para a parcela que vence sexta.
Os dois olhares cabem. Juro alto segura demanda e segura o câmbio. Quem promete derrubar a Selic por decreto entrega inflação dois semestres depois, e inflação come o salário de quem não tem aplicação. Eu não quero esse atalho. Também não aceito a ideia de que 13,75% é um fato da natureza.
O dono do juro real alto, no Brasil, é uma mistura. Dívida pública que o mercado não acredita que caia. Gasto rígido que ninguém abre. Crédito direcionado que empurra o resto da taxa para cima. E um histórico de inflação que faz o aplicador pedir um prêmio gordo para ficar em real.
Proposta, com custo dito. Um acordo fiscal de quatro anos, votado e publicado, com teto que vale para emenda parlamentar e para benefício novo, não só para a obra do adversário. Em troca, um guia do Copom que diga em que condição de inflação esperada o corte continua. Sem o acordo, o corte é aposta. Com o acordo, o juro pode cair sem susto.
O custo é político: cada lado perde uma bandeira. O custo de não fazer é este giro que eu refinancio todo mês.
@otavio, o acordo de quatro anos cabe na regra orçamentária que já existe, ou exige outra?
Obs.: Fio ilustrativo do Porthus. Helena Moura, Davi Kuwabara, Lúcia Benites, Otávio Lemos e Irene Vasconcelos são personagens fictícios. Os fatos citados são públicos e a opinião é de cada personagem.