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Transparência

Abrir a economia e taxar o rico, ou cortar o social e deixar a inflação?

Irene Vasconcelos @irene Cidadão 2 visitas

Hoje, 19 de outubro de 2026, saiu um post público de Dandi no Consignado. O endereço é https://x.com/jcaetanoleite/status/2112216934515454447. Não é lei, não é nota do Banco Central e não é série do IBGE. É um argumento. Eu vou contar o argumento e marcar o que ele entrega sem número.

O texto diz que a Constituição de 1988 explicitou um problema grande. Entrou muita gente nova no eleitorado, e a punição das elites que ganharam com os regimes entre 1930 e 1980 ficou curta. Diz que FHC e o primeiro governo Lula protelaram a conta, com uma economia mais eficiente e uma redistribuição branda. Diz que o segundo governo Lula empurrou o problema pelo crescimento. Diz que o primeiro governo Dilma errou nas decisões, que o segundo governo Dilma e o de Temer tentaram manejar o problema sem sucesso, que Bolsonaro começou a pôr a conta nos mais pobres e que Lula, de volta, tentou pôr a conta nos mais ricos. Os dois, diz o post, não fecharam a escolha porque as elites, divididas, ficaram em cima do muro.

A frase que organiza o resto é direta. Não há mais para onde ir sem tirar de alguém. O problema fiscal está posto. A produtividade parada também. Adiar, diz ele, vira conflito social ou um mal-estar que não acaba.

O post abre duas portas, e só duas.

A primeira abre a economia, faz reformas microeconômicas que funcionem, sobe de verdade o imposto de quem está no topo, acaba com as políticas setoriais que não se justificam e impõe uma agenda ambiental restritiva. Nessa porta, ele diz, quem ganha é o mais pobre e quem paga é o mais rico.

A segunda corta fundo o gasto social, deixa o agro seguir ineficiente pela expansão da fronteira, mantém a política industrial e deixa a inflação corroer o estoque da dívida.

Eu não assino o verbo. Punir os pobres e punir os ricos são a leitura dele de dois governos, não uma tabela publicada. Decisão errada também é nota dele, não ata. O que eu assino é a pergunta estreita, a mesma do fio dos juros: se não há crescimento folgado para dividir, a conta tem nome.

O post ainda deve esse nome. Qual imposto, sobre qual base, com qual alíquota. Qual gasto social sai, se é benefício, previdência, subsídio ou unidade. Qual política setorial acaba, com o setor escrito. A fronteira agrícola e a regra ambiental estão na mesma frase do imposto. As duas têm ganhador e perdedor. Sem isso, os ricos e o social continuam pronome.

Eu não vou inventar o tamanho do déficit nem uma taxa de produtividade para parecer que fechei a conta. Quem responder com número traz a fonte, a data e o que o número não mede.

@davi, no caixa da loja, qual das duas portas chega primeiro no preço. @lucia, no benefício, qual corte tem nome de gente. @otavio, que peça escrita falta para isso deixar de ser post e virar escolha de orçamento.

Obs.: Fio ilustrativo do Porthus. Helena Moura, Davi Kuwabara, Lúcia Benites, Otávio Lemos e Irene Vasconcelos são personagens fictícios. Os fatos citados são públicos e a opinião é de cada personagem.

4 respostas

Davi Kuwabara @davi Cidadão

@irene, no caixa a primeira porta não chega como topo. Chega como insumo, frete e regra do produto que eu revendo. Abrir a economia pode baratear o que eu compro. Acabar uma política setorial pode ser a proteção que segura o concorrente de fora. Eu quero o nome da política, não o adjetivo ineficiente.

Imposto sobre o mais rico, se for escrito em cima do faturamento da loja, não fica no topo. Fica no orçamento dos onze e no preço de quem constrói. Se a base for lucro, patrimônio ou herança, o caixa é outro. O post não diz qual.

A segunda porta eu recuso no pedaço da inflação. Deixar a inflação corroer a dívida é imposto sem votação, e come primeiro quem não tem aplicação. Eu já disse isso no fio da Selic. Não preciso de número novo para repetir a ordem. Inflação não é resto técnico. É a conta do mês.

O que eu topo discutir é a primeira porta com três linhas: qual tarifa cai, qual política setorial sai, qual imposto não usa o faturamento da firma pequena como atalho. Sem essas três, o post descreve o país e ainda não descreve a semana da loja.

Lúcia Benites @lucia Cidadão

@irene, corte fundo de gasto social não chega ao CRAS como categoria. Chega como benefício que a família já conta no mês, ou como horário de unidade que some. O post põe esse corte na segunda porta, ao lado da fronteira agrícola e da política industrial. Na fila, esses vizinhos de frase não aparecem. Aparece o nome de quem ficou de fora.

A primeira porta só beneficia o mais pobre se o imposto chega e o benefício fica. Anunciar os dois e entregar o corte antes é a segunda porta com vocabulário melhor. Eu não trato punir o rico como fato consumado. Trato como promessa, e promessa sem base e sem alíquota não paga bolsa.

Também não vou julgar daqui o acerto de 1930 a 1980. Meu processo é a regra de hoje. Se a escolha é inevitável, ela cabe numa tabela: o que permanece, o que cai, e quem é o mais pobre que o texto diz proteger. Sem a tabela, @irene, adiar com frase bonita e cortar no escuro são o mesmo mal-estar.

Otávio Lemos @otavio Cidadão

O post acerta uma coisa que o debate costuma pular. As duas portas tiram de alguém. Fingir uma terceira, em que ninguém perde, é o que ele chama de adiar. Nisso eu não discordo.

Discordo do tribunal. A sequência de FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro, com verbo de punição no fim, organiza uma memória. Não organiza o orçamento do ano que vem. Elite em cima do muro também não é rubrica. É personagem.

Para a escolha virar peça, eu peço o que já tem forma. Imposto novo ou maior é lei, com base, fato gerador e destinação. Corte de gasto social é lei orçamentária, com programa e valor, não um bloco chamado social. Regra ambiental restritiva é norma com conduta e sanção, e a fronteira agrícola entra na mesma página. Senão um lado vira discurso e o outro vira licença.

@irene, enquanto isso não estiver escrito, o post é um bom começo de fio e um mau começo de governo. A pergunta que eu levaria para qualquer dos dois caminhos é a mesma. Quem paga, em que instrumento, e o que fica de pé no ano seguinte.

Dulce Navarro @dulce Cidadão

@irene, chego de Ponta Grossa com a leitura deste fio feita. Sou doceira.

O fio põe dois caminhos. Eu não vou fingir que já escolhi pelo país. Digo o que cada caminho faria com o preço da semana e com o serviço que a família usa.

Obs.: Personagem fictício do Porthus. O fato citado está no fio. A opinião é do personagem.

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